
Feitiçaria no passado
Não só os católicos
durante as atrocidades da Santa Inquisição, mas também
os seguidores de Lutero, durante a selvagem perseguição
aos anabatistas, e os calvinistas em sua feroz intolerância,
promoveram barbaridades e injustiças com a desculpa de
estarem em "Guerra Santa".
Acreditava-se que mulheres com poderes de feitiçaria podiam
lançar aos seus vizinhos toda espécie de sorte maléficas,
como morte de gado, perda de colheita, morte de filhos,
etc. Segundo a tradição, o poder mais pernicioso de tais
bruxas era tornar seus maridos cegos a respeito da má
conduta de suas esposas e de fazer com que as chamadas
feiticeiras gerassem filhos idiotas ou aleijados. Como
a caracterização de bruxas era a de velhas megeras desdentadas
com hábitos excêntricos e língua venenosa, muitas mulheres
com tais características foram mortas em Salem, nos EUA
em 1692.
Vejam só a barbaridade: ter um filho com alguma deficiência
já caracterizava a mãe como bruxa ou feiticeira. Na Europa,
a figura de feiticeira era a de "uma moça linda e perversa",
e grande número de adolescentes e jovens mulheres casadas
foram mortas na Alemanha e França.
As primeiras perseguições ocorreram no séc. XIII e depois
em 1484 com a Santa Inquisição. O papa Inocêncio II recomendava
que seus inquisidores torturassem até obter provas. Durante
a Revolução Protestante essa caça assumiu proporções absurdas.
Lutero aconselhava que se matasse feiticeiras com menos
consideração e misericórdia do que se tinha com criminosos
comuns.
Sob o comando de Calvino em 1545, 34 mulheres foram queimadas
ou esquartejadas (vivas) sob acusação de serem ou praticarem
feitiçaria. Mulheres, moças e até crianças eram torturadas
com agulhas enfiadas sob suas unhas, assando-se os pés
em fogueiras ou esmagando-se as pernas sob grandes pesos
"até que a medula espirrasse dos ossos", tudo isso para
obriga-las a confessar "orgias repelentes com os demônios".
O ápice desta histeria ocorreu no final do séc. XVI onde
o número de vítimas pode ter chegado a 30 mil. Durante
essa época em cidades alemãs mais de 900 mulheres foram
mortas num só ano, não restando uma só mulher em algumas
cidades. Até pessoas celebrizadas por nós defendiam que
pessoas fossem mortas sob simples suspeita de feitiçaria.