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Doação
de mudas de plantas medicinais e condimentares
Nos últimos anos, diante das ofertas crescentes de produtos
diferenciados no mercado, e isso pode ser o reflexo de uma
sociedade mais consciente e exigente que opta pela qualidade
dos alimentos, nota-se que a agricultura familiar no Brasil
tem conquistado seu espaço e se fortalecido. Uma grande
quantidade de pequenas propriedades e assentamentos rurais
é ocupada por agricultores que utilizam um sistema de manejo
e tratos culturais que geralmente pouco agridem o meio ambiente,
como a capina manual, a utilização de compostos orgânicos
e inseticidas naturais, a consorciação, entre outros, e
que, dentro desse contexto, agregam valor aos alimentos
produzidos. Em contrapartida, com a adoção dessas práticas,
de forma direta e/ou indireta, abre-se espaço para o cultivo
de outras espécies potenciais, não somente para consumo,
mas para suprir a indústria, como é o caso das plantas medicinais
e a indústria de fármacos.
A Embrapa Pantanal, que atua como órgão de pesquisa e difusão
de tecnologia, preocupada com o fortalecimento de uma agricultura
ambientalmente correta nos arredores de Corumbá e Ladário-MS,
procura orientar os agricultores da região com informações
básicas sobre a produção de mudas e o cultivo de algumas
dessas espécies que se adaptam bem ao clima local. Além
disso, tem-se preocupado com o fornecimento de mudas sadias
que sirvam como ponto de partida para o cultivo dessas espécies.
Pesquisas apontam que o sucesso do cultivo de determinada
espécie é diretamente proporcional à qualidade das sementes
e/ou mudas utilizadas, ou seja, quanto melhor for a qualidade
fisiológica e sanitária desse material reprodutivo, melhor
será o desenvolvimento das plantas sob cultivo e, conseqüentemente,
a produção. Dessa maneira, aliando-se materiais propagativos
de qualidade com um sistema de cultivo adequado, aumenta-se
a chance de sucesso do agricultor.
Pode-se citar, a título de exemplo, a produção e o fornecimento
de mudas de plantas medicinais, aromáticas e condimentares
como hortelã, capim cidreira, erva cidreira, manjericão,
alfavaca, erva baleeira, fáfia do pantanal, babosa, entre
outras, pela Embrapa Pantanal. As espécies citadas são mantidas
no Horto de plantas medicinais, condimentares e aromáticas,
implantado na área de projetos sociais da Empresa Brasileira
de Infra-estrutura Aeroportuária - INFRAERO em Corumbá-MS
no ano de 2005, e fazem parte do projeto intitulado "Produção,
processamento e comercialização de plantas medicinais, condimentares
e aromáticas", liderado pela Embrapa Transferência de Tecnologia
- Escritório de Negócios de Campinas. O referido projeto
tem como objetivo apoiar o agronegócio de plantas medicinais,
aromáticas e condimentares, por meio do treinamento de técnicos
e qualificação de pequenos agricultores e seus familiares
em produção e manipulação de ervas, por meio da adoção de
boas práticas agrícolas e higiene, e que atendam as demandas
dos segmentos de fármacos e condimentos.
Com a implantação dessa linha de pesquisa há três anos,
muitos pequenos agricultores, membros de associações e comunidades
produtoras e assentados têm sido beneficiados, não só com
o recebimento das mudas, mas também pelo acesso a cursos
ministrados por pesquisadores e técnicos da Embrapa Pantanal.
Entre os meses de outubro de 2006 e abril de 2007, foram
distribuídas mais de 600 mudas de plantas medicinais, condimentares
e aromáticas, entregues simbolicamente a agricultores interessados,
como forma de estimular a produção de suas próprias mudas.
A expectativa é de que a demanda continue existindo por
se tratar de uma região fragilizada pelo extrativismo e
que mantém a forte tradição de utilizar plantas nativas
e exóticas na cura de enfermidades e alívio de dores, a
chamada medicina popular. Deve-se considerar também que
a procura por matéria-prima para a produção de fármacos
e condimentos tende a aumentar nos próximos anos, haja vista
que o governo brasileiro tem buscado facilitar e incentivar
o cultivo, a produção e a comercialização de plantas utilizadas
para produzir medicamentos fitoterápicos.
Por fim, trata-se de uma atividade ao alcance da agricultura
familiar e, com isso, espera-se ampliar as oportunidades
de geração e complementação de renda para os pequenos agricultores
e assentados da região.
Marçal
Henrique Amici Jorge
É pesquisador da Embrapa Pantanal e PHD em Fitotecnia
marcal@cpap.embrapa.br