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Educação
e desenvolvimento sustentável
Por: Aldalgiza Inês Campolin, é pesquisadora da Embrapa
Pantanal, da Área de Comunicação e Negócio, Pedagoga e Mestre
em Educação.
A Embrapa Pantanal, comprometida com o desenvolvimento sustentável
da Região, tem priorizado em suas pesquisas a conservação
do ambiente, entendida como processo educativo. Num mundo
assombrado pelas ameaças à vida humana, em suas diferentes
formas, o grande desafio da educação é resgatar os valores
que reforcem o vínculo entre o homem, a sociedade e o ambiente.
Nesta perspectiva, a reflexão teórica se configura como
a principal estratégia do educador envolvido com a vida
em todas as suas manifestações.
Os pressupostos que fundamentam uma educação para a sociedade
sustentável devem ser suficientemente consistentes, de forma
a desenvolver nos educandos a capacidade de pensar criticamente
o homem e suas relações com a natureza. No entanto, se a
educação tem por objetivo promover a continuidade da vida,
porque o espectro da morte persegue a humanidade tão insistentemente?
Porque a fome, a doença e a degradação moral se propagam
na sociedade? Porque se poluem os rios, as cidades e os
campos? Porque a flora e a fauna são agredidas com vigor
cada dia maior?
A construção de uma sociedade sustentável envolve a promoção
de uma educação que estimule a transformação ética e política
dos indivíduos, bem como das instituições, promovendo mudanças
que percorram o cotidiano individual e coletivo. A história
comprova que é possível harmonizar a convivência dos homens
entre si e com a natureza, pois durante milhares de anos
os sistemas naturais e os sistemas humanos conviveram de
forma sustentável.
Com a modernidade, no entanto, a crise ecológica se acirra
e a continuidade da vida é ameaçada pela incapacidade de
se pensar conjuntamente a espécie humana e a natureza que
passa a ser entendida como um objeto inerte e passivo, separado
do ser humano. A confiança humana na razão, aliada à política
mercantilista, transforma a natureza em matéria morta, objeto
da cobiça, fonte de enriquecimento rápido. Pode-se dizer
então que a natureza se desumaniza e o homem se desnaturaliza,
num processo em que o homem passa a ser considerado como
o centro do universo e todas as demais coisas estão à disposição
dele. Não existe mais interação e sim dominação do sujeito
humano sobre o objeto natureza.
Esse mito do homem enquanto sujeito de todos os direitos
e da natureza objeto de toda exploração deve ser superado
pela educação que se quer transformadora. Para tal, há que
se reforçar o vínculo entre cultura, linguagem e consciência,
considerando, principalmente, que o poder também se expressa
na linguagem. E a linguagem é a alavanca do processo educativo.
Há que se cuidar, portanto, para que a palavra seja o reflexo
de consciência crítica e comunicação dialógica dos homens
entre si e com a natureza. Aqui, é imprescindível a ação
dos educadores, no sentido de que a ação educativa contribua
para a construção de valores éticos a partir da consciência
de que as perspectivas de um futuro feliz se fragilizam,
concretamente, na manutenção do dualismo existente entre
ambiente e sociedade.
Neste cenário, o grande desafio da educação é mediar um
novo projeto de sociedade, no qual os aspectos políticos,
sociais, econômicos, culturais e ambientais sejam criticamente
revistos. Isso implica levar os educandos a uma compreensão
de que sua realidade imediata sofre os reflexos da realidade
social, ao mesmo tempo em que as ações individuais vão se
somar às ações de outros homens e compor o tecido social.
Essa relação dialética entre o individual e o coletivo vai
dar movimento à realidade, concretizando um mundo mais justo
e sustentável aos humanos e a outras entidades não humanas,
mas sem as quais não haveria o mundo tal qual o conhecemos.
Aldalgiza
Inês Campolin
É pesquisadora da Embrapa Pantanal, da Área de Comunicação
e Negócio, Pedagoga e Mestre em Educação.
E-mail: alda@cpap.embrapa.br