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PRODECIMENTOS
CORRETOS PARA A PRÁTICA DO PESQUE E SOLTE
Ricardo Pinheiro Lima
Débora Karla Silvestre Marques
Roberto Aguilar Machado Santos Silva
A pesca no Pantanal é uma atividade muito procurada por
quem deseja momentos de interação com a natureza, sossego,
descanso mental e lazer. Mas nem por isso é uma atividade
que dispensa regras e respeito, principalmente àqueles que
é a parte mais importante da pescaria: o peixe. Uma das
tentativas de exercer a pesca de forma sustentável é o pesque-e-solte.
Esta modalidade geralmente ocorre em locais definidos pela
legislação, ou em períodos específicos nos quais há necessidade
de proteger o peixe do abate.
Muitos pescadores acreditam que praticando o pesque-e-solte
estão conservando a natureza. Porém, fisgar o peixe e submetê-lo
a uma briga longa, por exemplo, pode levá-lo a um nível
muito alto de estresse e/ou causar alguma lesão que resultará
na morte do animal.
Os efeitos do manuseio durante o pesque-e-solte têm sido
objetos de estudo nas diversas regiões onde esta prática
foi adotada. A Embrapa
Pantanal,
em parceria com a Fundect, está realizando pesquisas acerca
dos efeitos do pesque-e-solte em peixes no Pantanal, visando
avaliar a efetividade desta prática de manejo para a conservação
dos estoques pesqueiros.
É um grande erro pensar que o peixe é resistente a tudo,
e que pode ser pescado de qualquer maneira antes de ser
devolvido à água. O pesque-e-solte precisa ser feito seguindo
algumas regras, para que o peixe, ao retornar ao seu ambiente,
tenha garantida a sua sobrevivência. Afinal, se não fosse
assim, o pesque-e-solte não teria razão de existir como
prática desportiva.
O pesque-e-solte é adotado fundamentalmente quando se quer
garantir a diversão da pescaria, com vantagens econômicas
e ecológicas, com a manutenção de um ambiente equilibrado.
Praticando o pesque-e-solte da forma correta, podemos dar
condições para que um mesmo peixe seja fisgado várias vezes
num mesmo período e que este peixe mantenha a capacidade
de fugir de predadores, se alimentar, crescer e se reproduzir,
o que não ocorreria caso ele fosse abatido, ou devolvido
sem condições de sobrevivência ao rio.
Existem procedimentos corretos para a realização do pesque-e-solte
que são conhecidos no mundo inteiro. Os anzóis apropriados
para a prática do pesque-e-solte são aqueles que não têm
farpas, já vendidos em lojas do ramo. Mas, os anzóis comuns
podem ter suas farpas retiradas ou amassadas. Também só
retire o anzol que estiver preso na boca do peixe ou nas
regiões externas. Nunca tente recuperar o anzol que o peixe
engoliu.
A briga com o peixe é o ponto alto da pescaria. Quanto mais
uma determinada espécie de peixe resiste, mais ela é apreciada
e alvo da pesca esportiva. Entretanto, o ideal é diminuir
o tempo de briga com o peixe, pois a luta do peixe para
escapar resulta em estresse ou alguma lesão séria, que pode
comprometer a sua sobrevivência. O peixe estressado é mais
suscetível a predação e a doenças.
O ideal é não retirar o peixe da água. Mas, como isto é
necessário para a retirada do anzol, por exemplo, quanto
menor for o tempo de permanência do peixe fora da água,
maior será a garantia de sua sobrevivência.
Nunca coloque o peixe na posição vertical, pois isso pode
causar lesões na coluna ou nos órgãos internos do peixe.
A posição correta para o peixe é a horizontal. Deve-se evitar
o contato direto com a pele do peixe, revestida por muco,
que entre as suas muitas funções, tem ação contra fungos
e bactérias. A retirada deste muco representa uma porta
de entrada para doenças.
As brânquias são os órgãos responsáveis pela respiração
dos peixes. Esta região é muito delicada e jamais deve ser
tocada, pois o contato das mãos pode causar lesões e levar
à contaminação por fungos e bactérias, resultando em diminuição
da eficiência respiratória e doenças.
A soltura do peixe deve ser feita lentamente. O peixe não
deve ser arremessado na água. Isto pode causar lesões no
corpo do peixe e faz com que o animal fique cansado e desorientado
e se torne uma presa fácil para outras espécies predadoras.
Coloque o peixe na água, apoiando-o com as mãos por baixo
do corpo para que se recupere lentamente e só saia quando
estiver em boas condições e por conta própria. Evite o movimento
de vai-e-vem dentro da água antes de soltar o peixe. Embora
alguns pescadores acreditem que este movimento reanima peixe,
na verdade ele pode comprometer a respiração e o equilíbrio
do peixe e, em vez de ajudar, vai atrapalhar a sua sobrevivência.
Seguindo estes procedimentos, as chances de sobrevivência
dos peixes submetidos ao pesque-e-solte aumentam muito e
esta prática torna-se efetiva na conservação e uso sustentável
dos recursos pesqueiros.
Ricardo
Pinheiro Lima É biólogo
e chefe de escritório do IBAMA em Corumbá/MS.
E-mail: ricardo.lima@ibama.gov.br
Débora
Karla Silvestre Marques M.Sc
em Ciências Biológicas e Dra. em Genética e Evolução de
Peixes.
E-mail: marques@cpap.embrapa.br
Roberto
Aguilar Machado Santos Silva M.Sc
em Patologia Animal, são pesquisadores da Embrapa Pantanal
E-mail: rsilva@cpap.embrapa.br
Web Site: www.cpap.embrapa.br