Rio de Janeiro, 20 de Novembro de 2008
28/05/2007
10h24
Petrobrás é obrigada a pagar idenização
por vazamento de óleo na Baía de Sepetiba
em 2000
DA REDAÇÃO BAIXADA
NEWS
RIO DE JANEIRO - Os pescadores da Baía
de Sepetiba que foram prejudicados com o derramamento
de óleo na região em 2000, realizarão
um protesto contra os governadores Sérgio Cabral
(Rio) e Aécio Neves (Minas), que pretendem criar
o "Porto Minas" em uma área já
contaminada por lixo químico. Uma Juíza
Federal, fez inspeção nas instalações
da Ingá e também já contestou o acordo
político/comercial entre os dois estados.
De acordo com o despacho proferido pela Dr. Simone Gastesi
no dia 25.05.2007 (sexta passada), processo movido contra
a PETROBRÁS pela Feperj, decisão ainda não publicada em
DO. Neste momento está sendo executado provisoriamente
o valor de R$ 33.600,00 por pescador, valor este inquestionável,
sem juros e correção monetária pelo período de 4 anos
tão somente. Laudos indicam que os impactos à pesca diurarão
cerca de 10 anos, no mínimo. O montante a ser pago de
imediato gira entorno de R$ 409.248.000,00 (409 milhões)
e deverá ser pago pela Petrobras aos 12.180 pescadores
artesanais beneficiados em 15 dias, após a publicação
em Diário Oficial.
De imediato a Juíza, obedecendo a regra do artigo 475-J,
determinou em caso de descumprimento do pagamento, uma
multa a ser paga pela Petrobras em mais 10% sobre este
valor, ou seja, R$ 40.924.800,00 (40 milhões) se não for
pago em 15 dias. No entanto, o valor total da sentença
está estimada em mais de R$ 1 bilhão!
Para o ecologista Sérgio Ricardo, única testemunha dos
pescadores contra a Petrobras, “a reparação financeira
é uma medida de justiça, apesar de tardia, já que ao longo
de 7 anos a empresa protelou propositadamente o processo
judicial e o pagamento dos prejuízos sofridos pelos pescadores.
Com a extrema morosidade do processo as condições de vida
de milhares de famílias só pioraram neste período, milhares
de pessoas foram jogadas na exclusão social, já que não
tem condições de trabalhar na pesca devido à intensa poluição
ambiental.
Por ser a maior condenação por Dano ambiental da História
do país, esta decisão é um marco. Acredito que a partir
de agora outras empresas grandes poluidoras passarão a
ter mais responsabilidade e respeito para com o meio ambiente
e a vida das populações tradicionais”. Como exemplo de
empresa que não respeita o meio ambiente e a sociedade,
o ecologista cita a CSA-Companhia Siderúrgica do Atlântico,
formada pela Cia. Vale do Rio Doce e a multinacional alemã
Thyssen Krupp, que está dragando 20 milhões de m3 de lama
contaminada por metais pesados na Baía de Sepetiba e lançando
estes poluentes no interior da própria Baía, espalhando
este lixo químico oriundo da falida Cia. Ingá Mercantil,
situada na Ilha da Madeira, Itaguaí.
A CSA foi multada, semana passada, pelo IEF(Instituto
Estadual de florestas), Auto de Infração Nº 615 de 23/01/2007,
enquadrado nos artigos 44,e 84 do código ambiental (corte
ilegal e desmatamento de manguezal), o auto foi assinado
pelo gerente de meio ambiente da CSA Sr. UBMAIER,e também
instaurado inquerito referente ao mesmo auto de infração
pela promotora Dra. DENISE TARIM, do Ministério Público
de Angra dos Reis.
A CSA responde atualmente a 2 ações judiciais: uma questiona
a legalidade da licença emitida pela FEEMA que autoriza
realização de dragagens altamente impactantes, além de
autorizar bota-fora de metais pesados (lixo químico) em
uma grande cava no fundo do mar (interior da Baía de Sepetiba).
A outra ação cobra indenização de R$ 300 milhões de reais
aos pescadores pelos impactos ecológicos, danos morais
e lucros cessantes, já que desde o início das dragagens
da CSA, em janeiro, os pescadores artesanais estão sem
trabalhar.
Na próxima terça feira, dia 29/5, às 10:00 hs, durante
inspeção à Ingá organizada pela Juíza Salete Macaloz,
da 7ª. Vara Federal de Justiça, do qual participarão os
Ministérios Públicos federal e estadual, Ibama, FEEMA,
Serla, Prefeitura de Itaguaí, entre outras instituições,
os pescadores de Mangaratiba, Itaguaí e Pedra de Guaratiba
farão manifestação na porta da Cia. Ingá Mercantil para
denunciar os crimes da CSA e cobrar da justiça o embargo
(arresto) do terreno da Ingá para indenizar milhares de
pescadores afetados pela poluição química.
O protesto ocorre no mesmo dia em está prevista a assinatura
do acordo entre os governos de MG e RJ para o futuro leilão
da área da mineradora. A negociação não agradou a titular
da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, responsável pela
ação de DANOS AMBIENTAIS da empresa à BAÍA DE SEPETIBA.
Em seu despacho, ela firma que a campanha política de
alienação do terreno desconhece a realidade da remediação
já executada e a necessidade de ressarcimentos dos prejuízos
aos pescadores.
Ambientalistas e pescadores também discordam do acordo
que se limita apenas à uma transação comercial, sem levar
em conta a situação da baía (que continua sendo poluída
pela CSA e Ingá), nem dos pescadores. Segundo Sérgio Ricardo,
coordenador do Fórum de Meio ambiente da Baía de Sepetiba,
“ a CSA e a Ingá agora se tornaram sócias na degradação,
uma jogou o lixo e a outra espalhou.Tudo farinha do mesmo
saco.
Infelizmente, o acordo comercial para viabilizar o Porto
de Minas já nasce muito mal e de forma ilegal e injusta,
já que se limita a vender, alienar o terreno da empresa
por valor irrisório e, ao mesmo tempo, exclui os pescadores
já que não prevê sua indenização e nem propõe uma solução
ambiental definitiva e adequada para remediar, descontaminar
em definitivo o enorme passivo da Ingá que é de 3 milhões
de toneladas de lixo químico (cádmio, zinco, arsênio etc).”
Com informações de Sérgio Ricardo