Rio de Janeiro, 20 de Novembro de 2008
29/05/2007
15h54
Pescadores fazem protesto contra acordo de Sérgio
Cabral e Aécio Neves no Rio
DA REDAÇÃO BAIXADA
NEWS
RIO DE JANEIRO - Os pescadores da Baía
de Sepetiba realizaram um protesto mais cedo contra o
acordo dos Governadores Sérgio Cabral (RJ) e Aécio
Neves (MG) onde pretendem criar o "Porto de Minas"
em uma área considerada contaminada por lixo químico.
Participaram da manifestação, pescadores
de Mangaratiba, Itaguaí e Pedra de Guaratiba na manifestação
em frente a porta da Cia. Ingá Mercantil para denunciar
os crimes da CSA e cobrar da justiça o embargo (arresto)
do terreno da Ingá para indenizar milhares de pescadores
da Baía de Sepetiba afetados pela poluição química.
A manifestação ocorreu no mesmo horário em que estará
ocorrendo uma inspeção às instalações da Ingá coordenada
pela Juíza Salete Macaloz, da 7ª. Vara Federal de Justiça,
do qual participarão os Ministérios Públicos federal e
estadual, Ibama, FEEMA, Serla, Prefeitura de Itaguaí.
O protesto dos pescadores e a inspeção técnica ocorrem
no mesmo dia em está prevista a assinatura do acordo entre
os governos de MG e RJ para o futuro leilão da área da
mineradora.
A negociação não agradou a titular da 7ª Vara Federal
do Rio de Janeiro, responsável pela ação de DANOS AMBIENTAIS
da empresa à BAÍA DE SEPETIBA. Em seu despacho, ela firma
que a campanha política de alienação do terreno desconhece
a realidade da remediação já executada e a necessidade
de ressarcimentos dos prejuízos aos pescadores. Ambientalistas
e pescadores também discordam do acordo que se limita
apenas à uma transação comercial, sem levar em conta a
situação da Baía de Sepetiba (que continua sendo poluída
pela CSA e Ingá), nem a grave situação sócio-econômica
dos pescadores que estão impedidos de trabalhar devido
às dragagens da CSA e a presença de poluentes químicos
da Ingá no fundo do mar.
Segundo Sérgio Ricardo, coordenador do Fórum de Meio ambiente
da Baía de Sepetiba, “ a CSA e a Ingá agora se tornaram
sócias na degradação, uma jogou o lixo e a outra espalhou.Tudo
farinha do mesmo saco. Infelizmente, o acordo comercial
para viabilizar o Porto de Minas já nasce muito mal e
de forma ilegal, ilegítima e injusta, já que se limita
a vender, alienar o terreno da empresa por valor irrisório
e, ao mesmo tempo, excluindo os pescadores já que não
prevê sua indenização e nem propõe uma solução ambiental
definitiva e adequada para remediar, descontaminar em
definitivo o enorme passivo da Ingá que é de 3 milhões
de toneladas de lixo químico (cádmio, zinco, arsênio).”
Como exemplo de empresa que não respeita o meio ambiente
e a sociedade, o ecologista cita a CSA-Companhia Siderúrgica
do Atlântico, formada pela Cia. Vale do Rio Doce e a multinacional
alemã Thyssen Krupp, que está dragando 20 milhões de m3
de lama contaminada por metais pesados na Baía de Sepetiba
e lançando estes poluentes no interior da própria Baía,
espalhando este lixo químico oriundo da falida Cia. Ingá
Mercantil, situada na Ilha da Madeira, Itaguaí.
A CSA foi multada, semana passada, pelo IEF(Instituto
Estadual de florestas), Auto de Infração Nº 615 de 23/01/2007,
enquadrado nos artigos 44, e 84 do código ambiental (corte
ilegal e desmatamento de manguezal), o auto foi assinado
pelo gerente de meio ambiente da CSA Sr. UBMAIER,e também
instaurado inquérito civil referente ao mesmo auto de
infração pela promotora Dra. DENISE TARIM, do Ministério
Público de Angra dos Reis.
A CSA responde atualmente a 2 ações judiciais: uma questiona
a legalidade da licença emitida pela FEEMA que autoriza
realização de dragagens altamente impactantes, além de
autorizar bota-fora de metais pesados (lixo químico) em
uma grande cava no fundo do mar (interior da Baía de Sepetiba).
A outra ação cobra indenização de R$ 300 milhões de reais
aos pescadores pelos impactos ecológicos, danos morais
e lucros cessantes, já que desde o início das dragagens
da CSA, em janeiro, os pescadores artesanais estão sem
trabalhar. Devido aos impactos sociais e ambientais a
CSA que vêm provocando, até o momento, não conseguiu aprovar
pedido de financiamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social), no valor de U$ 1 bilhão.
Ecologistas e técnicos consideram suja e obsoleta a a
opção tecnológica proposta pela CSA que pretende enterrar
20 milhões de m3 de lama contaminada por metais pesados
no fundo da Baía. Existem outras alternativas tecnológicas
mais seguras e limpas como o encapsulamento e aterro industrial,
que evitariam a plouição e os prejuízos que já estão sendo
provocados pela CSA. No entanto, até o momento, estas
alternativas tecnológicas não foram levadas em conta pela
empresa.
Com informações de Sérgio Ricardo