
INSTITUIÇÃO
DA EUCARISTIA
Na véspera da festa da Páscoa, como Jesus
sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo
para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo,
amou-os até o fim (cf. Jo 12,1). Caía a noite sobre o
mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia
infinita de Deus para com a humanidade iam realizar-se
plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer:
a nova Páscoa. Eucaristia foi instituída durante a noite,
preparando antecipadamente a manhã da Ressurreição.
Comecemos desde já a pedir ao Espírito Santo que nos prepare
para podermos entender cada expressão e cada gesto de
Jesus Cristo: porque queremos viver vida sobrenatural,
porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se dar
a cada um de nós em alimento da alma, e porque reconhecemos
que só Ele tem palavras de vida eterna.
A fé leva-nos a confessar com Simão Pedro: Nós acreditamos
e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus. E é essa
mesma fé, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos
transcendentes nos incita a imitar a audácia de João,
a aproximar-nos de Jesus e a reclinar a cabeça no peito
do Mestre, que amava ardentemente os seus e, como acabamos
de ouvir, iria amá-los até o fim.
Tenhamos em mente a experiência tão humana da despedida
de duas pessoas que se amam. Desejariam permanecer sempre
juntas, mas o dever – seja ele qual for – obriga-as a
afastar-se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem,
como gostariam. Nessas situações, o amor humano, que,
por maior que seja, é sempre limitado, recorre a um símbolo:
as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si,
possivelmente uma fotografia, com uma dedicatória tão
ardente que é de admirar que o papel não se queime. Mas
não conseguem muito mais, pois o poder das criaturas não
vai tão longe quanto o seu querer.
Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo,
perfeito Deus e perfeito Homem, não nos deixa um símbolo,
mas a própria realidade: fica Ele mesmo. Irá para o Pai,
mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um simples
presente que nos lembre a sua memória, uma imagem que
se dilua com o tempo, como a fotografia que em breve se
esvai, amarelece e perde sentido para os que não tenham
sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies
do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente
presente com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade.
Fonte: "É Cristo que passa, 83 - Textos de São Josemaria"
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