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FLIP 2008 DIRETO DE PARATY


Misha Glenny e Guilherme Fiuza falam sobre drogas

04/07/2008
Da Redação BAIXADA NEWS

Para substituir Caco Barcellos, a organização da FLIP 2008, disponibilizou em seu local, o brasileiro Guilherme Fiuza (Autor de "Meu nome não é Jonnhy", ele que é jornalista e escritor, conduziu o civilizadíssimo debate sobre tráfico de drogas com o britânico Misha Glenny (autor de "McMáfia"). Sem discursos inflamados nem grandes discordâncias, os dois falaram sobre o enorme negócio que o tráfico das substâncias ilícitas movimenta ao redor do mundo, tema do livro de Glenny, e sobre a controvérsia da liberação do consumo. Mediados por Paulo Markun, os palestrantes se mostraram favoráveis a novas leis para descriminalizar as drogas. Com direito a aplausos fervorosos da platéia.

Foto: Divulgação
- É preciso que haja uma discussão adulta. Existem muitos outros degraus entre a guerra às drogas e a liberação total. Vamos começar legalizando a maconha e veremos se a civilização ocidental vai ruir - disse Misha, para deleite da platéia.

Fiuza também se deteve sobre o tema ao falar de seu livro, baseado na vida do traficante de classe média João Guilherme Estrella. Segundo o autor, o livro (e o filme dele adaptado) geraram muita incompreensão.

- Esse tema do narcotráfico se transformou num tabu, quase um fetiche. Esse chamado ético de acusar quem se droga de financiar o tráfico considero totalitário. São pessoas que às vezes não têm condições de cuidar do próprio umbigo - afirmou.

Numa pergunta (que chamou de "provocação), Markun falou sobre a descrição das festas regadas a drogas de Estrella e quis saber se Fiuza não estaria apresentando uma "visão um pouco cor-de-rosa daqueles embalos".

- Nunca disse que ele (Estrella) era um exemplo. Sou jornalista, não militante. Mas talvez tenha mesmo essa boca torta de passar a mão na cabeça do usuário - assumiu o escritor, que fez críticas ao personagem usuário de drogas no filme "Tropa de elite" - Erraram na mão ao botar um usuário estudante da PUC como um idiota, um bundão.

Glenny, que esteve no Brasil durante a fase de pesquisa de seu mais recente livro, preferiu tratar de outro tema no capítulo dedicado ao país: o cybercrime. De acordo com o autor, o país está entre os líderes desse tipo de crime, ao lado da China e Rússia. As condições sociais brasileiras, segundo sua tese, favoreceram esse boom.

- O Brasil é um país que mergulhou fundo na globalização mas mantendo seus grandes contrastes sociais - disse.

Com informações da Organização da Flip e Tv OI

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