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Flip 2008

SOBRE A FLIP

Lançada em 2003,a FLIP sofreu modificações significativas já na segunda edição, quando teve seu nome mudado, passando de Festival à Festa, além de sua duração, que passou de três para cinco dias. Desde sua primeira edição, a Festa vem crescendo, seja com relação ao número e expressão de escritores e editoras convidadas, seja no número de visitantes. Falando em nome, a FLIP utiliza o nome Parati, assim mesmo com o i, para realçar que a Festa é “Parati/Para Você” – tornando ainda mais convidativo o evento.

Segundo Mauro Munhoz, Diretor Presidente da Associação Casa Azul, realizadora da Festa, a idéia de promover a FLIP nasceu em parceria com a editora inglesa Liz Calder, inspirada em eventos similares, realizados em cidades pequenas. Daí o fato de escolher como ”lar”, a charmosa Paraty, elevando-a ao nível de Hay-on-Wye (País de Gales), Adelaide (Austrália), Harbourfront (Canadá) Berlim (Alemanha), Edimburgo (Escócia) e Mantua (Itália), no que diz respeito a grandes eventos literários.

Você já bebeu “Paraty”?
O sucesso da FLIP deve-se a diversos fatores, entre eles, a fértil experiência cultural que oferece. Porém, é preciso “abrir um parêntese” para falar do papel de Paraty nesse sucesso: sua beleza única, emoldurada por história e cultura, seu entorno marcado por tesouros naturais e a hospitalidade de seu povo, sempre de braços abertos, têm sido determinantes. Devido a esse ambiente informal e aconchegante – para falar o mínimo - durante esses cinco dias o visitante pode usufruir de experiências únicas, como a de, por exemplo, degustar uma deliciosa “Paraty”, a famosa cachaça da terra, junto a personalidades como Caetano Veloso, Jô Soares, Antônio Cícero ou Arnaldo Jabor. Isso sem falar na oportunidade de “bater uma pelada” com ninguém menos que Chico Buarque. Só mesmo Paraty poderia proporcionar cenas como estas, nos intervalos entre os eventos. Porém, tudo isso só é possível porque, enquanto o clima das ruas históricas sugere um bate-papo descontraído, as pousadas, restaurantes e demais serviços oferecem um excelente padrão de qualidade. Além disso, o entusiasmo e a qualidade de seu fiel público são ingredientes principais da verdadeira “festa” em que a cidade se transforma todos os anos durante a FLIP.

Histórico das Programações

As temáticas variadas tratadas nos debates deram o contorno à presença de autores mundialmente respeitados. Além dos nossos grandes talentos brasileiros, interagindo entre si e com os autores estrangeiros. Eis alguns exemplos, por edição, de mesas que fizeram a história da FLIP:

2003 - Ninguém melhor para falar de literatura e humor do que os dois melhores textos de humor do país – Veríssimo e Millôr – e um diligente e inspiradíssimo compilador de textos humorísticos como Ruy Castro. Ferreira Gullar, considerado o maior poeta vivo do Brasil, foi grande destaque entre os brasileiros, lendo trechos de seu livro Relâmpagos.

2004 - Nação crioula, de 1997, consagrou José Eduardo Agualusa, nascido em Huambo, Angola, como um dos mais importantes escritores africanos de língua portuguesa. Agualusa dividiu a mesa com seu admirador Caetano Veloso, um dos maiores artistas brasileiros. África e Brasil - unidos e, estranhamente, separados.

No encerramento da segunda edição da Festa Literária Internacional de Parati, nomes como Paul Auster, Margaret Atwood, Martin Amis, Pierre Michon, Miguel Sousa Tavares, Milton Hatoum, Joca Reiners Terron falaram sobre seus livros de devoção.

2005 - No ano da comemoração dos cinqüenta anos da peça "Auto da compadecida", Ariano Suassuna, uma das vozes mais polêmicas e espirituosas de nossa literatura contemporânea, subiu ao palco para expor sua visão das raízes ibéricas da cultura brasileira.

Um lançamento mundial foi feito em Paraty, e em grande estilo! O escritor anglo-indiano Salman Rushdie leu trechos de seu romance, Shalimar, o equilibrista, uma obra na corda-bamba entre Índia e Paquistão, Oriente e Ocidente, ódio e paixão, céu e terra.

2006 - A prosa dos escritores Reinaldo Moraes (Tanto faz, Umidade), André Sant’anna (Amor, O paraíso é bem bacana) e do premiado cartunista Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo, O natimorto) se desenvolveu num fluxo ora caudaloso, ora taquigráfico, expondo a superficialidade, a violência, os impasses e os paradoxos das relações humanas.

Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 1993. Autora de Amor, Os cânticos de Salomão e Amada — escolhido como a melhor obra norte-americana de ficção dos últimos 25 anos — discorreu sobre a literatura e sua capacidade inigualável e duradoura de informar, entreter, enriquecer e iluminar. Nenhum outro romancista retratou a realidade dos negros norte-americanos com tanta força e sensibilidade.

2007 – Os autores participantes da FLIP 2007 foram: Ahdaf Soueif, Alan Pauls, Amós Oz, Ana Maria Gonçalves, Antonio Torres, Arnaldo Jabor, Augusto Boal, Barbara Heliodora, Bosco Brasil, Cecilia Giannetti, César Aira, Chacal, Dennis Lehane, Eduardo Tolentino, Fabrício Corsaletti, Fernando Morais, Guilhermo Arriaga, Ignacio Padilla, Ishmael Beah, J.M.Coetzee, Jim Dodge, Kiran Desai, Lawrence Wright, Leyla Perrone-Moisés, Lobão, Luiz Felipe de Alencastro, Maria Rita Kehl, Mário Bortolotto, Mia Couto, Nadine Gordimer, Nuno Ramos, Paulo Cesar de Araújo, Paulo Lins, Robert Fisk, Rodrigo Fresán, Ruy Castro, Silviano Santiago, Verônica Stigger, Will Self e Willian Boyd.

Homenagens
A Festa homenageia, a cada ano, expoentes das letras brasileiras. O poeta e compositor Vinicius de Moraes, o “Poetinha”, em 2003. O escritor João Guimarães Rosa, o “Guima”, na segunda edição. Em 2005, a romancista Clarice Lispector. E Jorge amado, o mais popular de nossos escritores, homenageado em 2006. O ano de 2007 foi de Nelson Rodrigues, grande cronista e mestre. O homenageado de 2008 será o cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta Machado de Assis.

Shows de Abertura
Por falar em comemoração: boa festa é igual à boa música! Já “encantaram” nos shows de abertura em anos anteriores, nomes como:

2004 - José Miguel Wisnik dirigiu o show de abertura em homenagem a Guimarães Rosa. Caetano Veloso e Chico Buarque foram fortes presenças.

2005
- Um dos mais expressivos compositores da música brasileira, Paulinho da Viola apresentou um repertório que une canção popular com sofisticação melódica e letras refinadas. Ainda na programação musical de 2005, Danilo Caymmi (voz e flauta) e Muri Costa (violão), apresentaram, no Café Paraty, música brasileira com repertório especial de Dorival Caymmi. Yamandu Costa também brindou o público do Café Paraty, com seu talento único.

2006 - Abertura em grande estilo, trazendo um dos maiores ícones da música brasileira. Com estilo próprio e uma forte presença no palco, onde combina elementos da música, da literatura e do teatro, Maria Bethânia apresentou uma breve demonstração de sua trajetória artística e da união indissolúvel entre texto e canto.

2007 – Shows de João Donato e da Orquestra Imperial, com suas performances efusivas de carnaval e funk, gafieira e soul, samba e bolero. Entre seus 18 integrantes estão, Wilson das Neves, Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Moreno Veloso, Thalma de Freitas, Nina Becker, além do guitarrista Pedro Sá.

O QUE É A FLIP
Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) tornou-se a caçula da família de importantes festivais literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência às edições seguintes. Em um curto período, ficou conhecida como uma das principais festas literárias internacionais, sendo reconhecida pela qualidade dos autores convidados, pelo irresistível entusiasmo de seu público e pela descontraída hospitalidade da cidade.

A FLIP já recebeu alguns dos grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.

Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já estiveram na FLIP, como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

Com um repertório eclético de convidados – do dramaturgo inglês Tom Stoppard à psicanalista Elisabeth Roudinesco, do quadrinhista Neil Gaiman à roteirista argentina Lucrecia Martel –, a sexta edição da FLIP confirma mais que nunca sua vocação a mercado cosmopolita de todo tipo de idéias manifestadas através da palavra escrita.

A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou-se o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector (1920-1977), em 2006, do baiano Jorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em 2008, ano do centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a FLIP presta homenagem ao grande escritor carioca.

A música brasileira, uma das maiores riquezas da nossa vida cultural, não poderia estar ausente da FLIP. Os shows de abertura, que já valeriam a ida a Paraty, ofereceram aos convidados a chance de assistir Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e José Miguel Wisnik, Orquestra Imperial e Maria Bethânia darem as boas-vindas aos visitantes da FLIP.

Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros e internacionais. Há também uma programação exclusiva para as crianças – a FLIPINHA –, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de livros, batizada de Off-FLIP.

Paraty é uma cidade litorânea contornada pelo mar azul-turquesa da baía da Ilha Grande e por grandes faixas intactas de mata atlântica. Localizada a aproximadamente quatro horas de carro do Rio de Janeiro e de São Paulo, esse antigo porto, de onde se enviava a maior parte do ouro do Brasil ao Velho Mundo, é uma cidade histórica que atrai muitos eventos culturais. Poucos locais poderiam ser mais agradáveis para sediar a FLIP que esta charmosa cidade. Suas ruas de pedra propiciam encontros casuais proveitosos, enquanto restaurantes e bares convidam a um bate-papo descontraído. As pousadas e os serviços oferecem excelente padrão de qualidade.

Desde a primeira edição, o crescimento da Festa Literária está intimamente ligado à vida e às necessidades de Paraty. Artistas locais, comerciantes, hoteleiros e donos de restaurantes acolhem a FLIP, que, por sua vez, mantém os habitantes locais ativamente envolvidos. Por tudo isso, a FLIP se destaca de outros encontros literários contribuindo para a atmosfera alegre e calorosa que tem caracterizado esse grande evento.


Confira a Programação da FLIP 2008


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